Essa será o tipo de postagem que você faz na esperança de que entendam o que você quis dizer sem precisar ficar com raiva de quem escreveu. Apesar da correria, mais uma leitura foi concluída e o que eu achei dela? Bem…

Não sei se o “problema” está comigo, ou com o autor do livro, ou com o enredo, ou simplesmente tenho que começar a concordar que existe leitura para cada idade (tipo aquela coisa do “Adulto, pare de ler literatura infantil!” ou “Criança, esse livro não é adequado para sua idade, portanto largue O mundo de Sofia!”). Ó céus, o que está acontecendo que ainda não consegui entrar na vibe do John Green?! <o>

Eu li A culpa é da estrelas, me emocionei com algumas partes e concordei com jeito dele se referir ao câncer sem ter aquela coisa da piedade extrema e do “coitadismo” que a sociedade impõe. Sim, pois é como uma amiga minha (que tem câncer) sempre fala: “Ter câncer não é uma opção; ser feliz é!”. Aí posso dizer que aprendi, por exemplo, a como conversar com alguém sem ficar constrangida com aquele momento que você escorrega ao falar que “vai ficar tudo bem” e depois se arrepende porque quem está ali na sua frente está em estado terminal. Enfim… a questão é que esse livro não foi lá a oitava maravilha do mundo como eu achava. Mesmo assim, resolvi dar uma, digamos, segunda chance e insisti na vibe Green! Comecei a ler O teorema Katherine!

E aí é como dizem: crie codornas, mas não crie expectativa! Foi uma leitura muito demorada e quase abandonei o livro… A história só começa a ficar interessante no capítulo 14 e quando você acha que vai explodir no clímax, a história simplesmente murcha do nada! A expectativa do clímax desintegrou o final apoteótico! (Nossa! Que exagero!) E aí eu faço minhas as palavras de uma das personagens:

“O problema das suas histórias – Lindsey ia dizendo na escuridão enquanto eles se aproximavam da floresta à sua frente – é que elas ainda não têm moral, cê não sabe imitar a voz de uma garota direito e cê não fala das outras pessoas o suficiente. A história ainda gira em torno de ocê.” (p. 195)

Repito: não estou dizendo que o cara escreve mal ou que a história é ruim, mas falaram/falam tanto dele que eu criei A expectativa. Só não consegui entrar na vibe Green. =/

As duas experiências meio que lembraram de uma outra bem traumatizante para mim. Como leitura obrigatória para o vestibular, li A teus pés de Ana Cristina Cesar e até hoje sinto arrepios só de pensar que foi o livro mais traumatizante da minha adolescência. Talvez por ser uma leitura obrigatória ou pelo fato de não ter entrado na vibe Cesar. Quem sabe se eu ler novamente as coisas não mudem, não é verdade?!

Não estou detonando nenhum desses autores, mas reafirmo que essas histórias não causaram o encantamento e aquela falta de fôlego que faz você devorar o livro inteiro sem parar nem pra comer ou dormir. Para a nuvem não ficar carregada para o meu lado, vou esverdeá-la com um trecho do livro que eu parei para anotar no caderninho:

[…] Tava pensando nesse seu lance de ser importante. Eu acho que, tipo… tipo, que a sua importância é definida pelas coisas que são importantes procê. Seu valor é o mesmo das coisas que ocê valoriza. E eu fiz tudo ao contrário, tentando me tornar importante pra ele. Esse tempo todo existiam coisas verdadeiras com as quais eu podia me ocupar: pessoas de verdade, pessoas boas que gostam de mim, esse lugar. É fácil demais ficar empacado. Cê só fica com essa ideia fixa de ser alguma coisa, de ser especial ou maneiro ou sei lá o quê, ao ponto de nem saber mais por que precisa disso; cê só acha que precisa.” (p. 267-268)

(GREEN, JONH. O Teorema Katherine. (Tradução de Renata Pettengill). Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013. 304p. Título original: An abundance of Katherines.)


Mesmo não atingindo o nirvana da vibe Green, fica registrado mais um livro lido. Até a próxima leitura! 🙂

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