Acredito que a maioria das garotas idealiza uma festa de 15 anos. Algumas querem o baile de debutante, outras preferem uma viagem ou, no meu caso, um instrumento musical (violão). Mas depois dessa leitura, fiquei pensando: será que Anne Frank também pensava em algo do tipo quando completou seus 15 anos dentro do Anexo?

A única palavra que vem à minha mente é: liberdade! Acho que esse era o maior desejo não apenas da própria Anne Frank, mas também de tantos outros judeus que sofreram com o Holocausto.

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O Diário de Anne Frank – Edição Comemorativa

Para cumprir o Desafio Literário ao qual me propus para esse ano de 2016, comecei com O Diário de Anne Frank. Por alguns anos vinha adiando a leitura, mas finalmente chegou a vez de enfrentá-lo. Refiro-me ao livro dessa maneira, porque foi uma das leituras mais difíceis e demoradas. Não que os relatos nesse diário sejam chatos ou algo tipo. A questão é que extramente complicado ficar no lugar dessa personagem de tão real que é. Estamos tão acostumados a nos colocarmos como personagens principais dos livros que lemos, não é mesmo? No entanto, é muito forte tentar imaginar-se no lugar de Anne Frank ou de qualquer outro morador do Anexo que foi por alguns anos o esconderijo de oitos judeus em plena Segunda Guerra Mundial.

Por alguns dias, pensei até que não conseguiria terminar a leitura. Vi os dias passarem e me surpreendi ao perceber que passei o mês inteiro para ler esse livro. Eu acabava me perguntando: Como eles conseguiam viver dia após dia em tal situação? Quantos e quantos judeus tiveram suas vidas ceifadas pela estupidez humana? Quantos conseguiram de fato sobreviver em esconderijos enquanto tantos outros foram levados aos campos de concentração?

Ler o Diário de Anne Frank é ler a vida de uma adolescente que teve todos os seu sonhos interrompidos… Em suas palavras:

“Acredite, se você ficasse trancada um ano e meio, acabaria achando demais. Mas os sentimentos não podem ser ignorados, não importa que pareçam injustos ou ingratos. Gostaria de andar de bicicleta, dançar, assoviar, olhar o mundo, me sentir jovem e saber que sou livre, mas não posso deixar isso transparecer. Imagine o que aconteceria se nós oito sentíssemos pena de nós mesmos ou se andássemos com a tristeza visível no rosto. Aonde isso nos levaria? Às vezes me pergunto se alguém algum dia entenderá o que estou dizendo, se alguém deixaria de lado a minha ingratidão e não se importaria se sou judia, e apenas me visse como uma adolescente que precisa demais de uma simples diversão.”
(Trecho do dia 24 de dezembro de 1943)

“(…) Não quero que minha vida tenha passado em vão, como a da maioria das pessoas, mesmo àquelas que jamais conheci. Quero continuar vivendo depois da morte! E é por isso que agradeço tanto a Deus por ter me dado esse dom, que posso usar para me desenvolver e para expressar tudo o que existe dentro de mim!
Quando escrevo, consigo afastar todas as preocupações. Minha tristeza desaparece, meu ânimo renasce! Mas – e esta é uma grande questão – será que conseguirei escrever alguma coisa importante, será que me tornarei jornalista ou escritora?
Espero, ah, espero muito, porque escrever me permite registrar tudo, todos os meus pensamentos, meus ideais e minhas fantasias.” 
(Trecho do dia 5 de abril de 1944).

Com esses trechos do livro finalizo dizendo que: ler O Diário de Anne Frank foi um grande desafio; diria até um pouco doloroso só em imaginar tudo o que ela conseguiu registrar. Que esse livro não seja apenas mais uma leitura. Que seja o motivo de reflexão, até porque a carga histórica que ele carrega é realmente pesada. 71 anos depois do fim da guerra, ainda é triste perceber que o Holocausto levou embora tantos sonhos e tantas vidas…

(…)

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(FRANK, Anne. O diário de Anne Frank. (Tradução de Alves Calado). 51 ed. Rio de Janeiro: Record, 2015. 416 p.)

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Selo de participação do Desafio Alfabeto Literário 2016
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